Diário de Viagem: Design Autoral e Realidade Aumentada

 

Você muito provavelmente já ouviu falar sobre realidade virtual, aumentada e, claro, impressoras 3D, né? Pois é, esse nosso diário de viagem começa com uma pequena reflexão sobre o uso dessas tecnologias no design. A palestra Bringing The Virtual World to Life, do evento Design Talks, levantou essa questão. Os palestrantes, Nicholas Baker (designer industrial), Felipe Castaneda (Diretor senior de Design Industrial na MakerBot) e Dr. Jussi Kajala (co-fundador e CEO da 3DBear) não apenas demostraram sofwares, ferramentas de realidade virtual e impressoras 3D, mas também levantaram discussões a cerca do impacto dessas tecnologias no nosso dia a dia em um futuro não tão distante assim.

A realidade virtual, por exemplo, pode servir como uma excelente ferramenta para visualizar as sugestões de reformas e mudanças em um projeto de design de interiores. O formato de projeto 3D apresentado atualmente, no futuro muito provavelmente será complementado com uma visita no local e apresentação em VR (virtual reality).

 

 

O mesmo vale para as impressoras 3D. Além da opção de criar peças do zero com plástico reciclado, ela funciona como uma ótima ferramenta para o desenvolvimento de protótipos que podem até ser produzidos posteriormente com outros materiais, como metais e tecidos naturais. Ou seja, a questão aqui é entender esses processos como meios e não fins!

É claro que sabendo usar cada uma dessas ferramentas da melhor forma, é sim possível desenvolver peças cheias de personalidade. Um bom exemplo é uma cadeira apresentada no corner da Studio Camden, no evento Brooklyn Designs. O modelo foi produzido com uma impressora 3D em plástico reciclado e tem um design super moderno! Uma das maiores vantagens desse tipo de processo é a rapidez e as muitas alternativas de personalizar a peça – medidas específicas e cores diferentes são alteradas com poucos clicks 😉

 

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Mudando um pouco de panorama e até linkando com post de ontem sobre a experiência de consumo nas lojas físicas atualmente, não poderíamos deixar de mencionar uma loja super cool na Madison Avenue: a Blu Dot. O diferencial não são só os espaços com um décor acolhedor, mas os próprios móveis todos autorais. A marca trabalha com designers exclusivos e o resultado, obviamente, são peças cheias de estilo.

Um bom exemplo é essa mesa ovalada irregular – se reparar bem, uma das pontas é mais estreita e, apesar de sutil, esse é um detalhe que torna a peça única!

 

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Um dos ambiente mais legais de toda a mostra era a sala de jantar com mesa de madeira de Ébano e cadeiras de cobre. A mistura de madeira e metal está realmente com tudo por aqui e não dá pra negar que o efeito fica moderno graças ao mix de texturas!

 

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E falando em efeito ebanizado, impossível não falar sobre o evento Next Level que reuniu designers de várias áreas em uma galeria no Noho, ao sul da ilha de Manhattan. A madeira preta surgiu novamente em mesas de jantar, de centro, aparadores e até racks. A mistura com mármore, madeira clara e, claro, metais também ficou evidente nas peças.

 

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A galeria estava cheia de novidades, mas além dos móveis incríveis mostrados acima, não dá para deixar de falar nos tapetes da Eskayel que são verdadeiras obras de arte. Não é por acaso que vários modelos estavam fixados nas paredes como quadros 😉

 

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Além de materiais mais “comuns” usados na tapeçaria, como lã merino, a marca também trabalha com matérias primas inusitadas, como é o caso da seda de bambu usada nesse modelo:

 

 

Mas voltando para o mobiliário, outras duas marcas chamaram a nossa atenção. A primeira delas é o Asher Israelow Studio que não só é a responsável por grande parte das peças com madeira ebanizada, apresentadas nessa mostra, como também trouxe cadeiras em couro impressionantes, chamadas de Lincoln Lounge Chair. O couro tingido não é simplesmente sobreposto na estrutura base, mas sim integrado à madeira e o resultado é uma “emenda”  imperceptível e super minimalista! Os detalhes em latão trazem mais uma textura para cada peça 😉

 

 

E falando em aplicações sobre a madeira, a outra marca que trouxe novidades é a Patrick Weder Design. As peças de madeira com uma fina camada de concreto em cima são cheias de personalidade e perfeitas para complementar ambientes com toque industrial.

Um efeito parecido pode ser obtido com a sobreposição de duas placas de madeira, a de cima tingida – lembram que a madeira colorida também é uma forte tendência? Essa é uma solução mais simples de produzir e com um resultado tão cool quanto o de concreto, né?

 

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Já que é praticamente impossível falar de ambientes incríveis sem mencionar a iluminação, vimos que o uso de acrílico/vidro riscado e luzes de led estão se firmando como tendência. Ainda no evento Next Level, as luminárias da Nita traziam essa proposta. O efeito é delicado, mas ainda assim surpreendente!

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Encontramos essa mesma pegada “riscada” em uma das lojas de design mais legais da cidade: a MoMA Design Store. As peças do Studio Cheha tem uma outra proposta 3D, mas é o uso do acrílico riscado e luzes de LED acopladas que permitem esse efeito.

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Outras peças que despertaram interesse na galeria do Noho foram as luminárias em materiais de laboratório, como em Erlenmeyer, também produzidas pela Nita. A ideia é simples, pode ser reproduzida em casa com poucos materiais e o resultado é uma peça moderninha e cool.

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A ideia de usar material de laboratório como tubos de ensaio e funis já tinha aparecido em uma outra loja em NYC que vale a visita: a Anthropologie. As peças funcionam como suportes de plantas e não lâmpadas. O resultado, como vocês podem ver abaixo, é um “jardim vertical” super delicado 😉

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Ufa, não faltaram boas ideias para o seu décor, né? Ainda temos muita coisa para compartilhar por aqui, então, não deixe de acompanhar as nossas postagens!